As relações sociais de travestis e mulheres transgênero em favela de uma cidade metropolitana brasileira registradas pelo Ecomapa.
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Data
2022
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Resumo
Introdução: A Organização Mundial da Saúde tem trabalhado com a premissa da equidade com
respeito universal pela dignidade humana, assumindo o compromisso de “não deixar ninguém para
trás”, e por esse motivo direciona um olhar especial para a população de lésbicas, gays, bissexuais,
transgêneros, queer e intersexuais. Sabe-se que a população transgênero é especialmente atingida
por diversos estigmas sociais que impactam seu processo de saúde e adoecimento. Entendendo a
Atenção Primária à Saúde como espaço primordial para a garantia de direitos dessa população, é
necessário que os Centros de Saúde intensifiquem os esforços para acolher essas pessoas; um
passo importante pode ser entender como é seu relacionamento familiar e sua inserção comunitária.
Objetivo: Auxiliar na construção da visibilidade das representações que as mulheres transgênero
e travestis assistidas em um Centro de Saúde têm sobre suas relações sociais. Métodos: Foram
entrevistadas as travestis e mulheres transgênero moradoras de comunidade assistida pelo Centro de
Saúde. As entrevistas foram feitas em profundidade e com a elaboração de ecomapa, sistematizadas
com as participantes e posteriormente enviadas para sua aprovação. Os ecomapas individuais
foram sintetizados em um único. Resultados: Todas as cinco travestis e mulheres transgênero que
residiam na área foram entrevistadas. A média de idade foi de 27,5 anos. Sobre a autodeclaração
de raça/cor, uma é branca, duas são pardas e duas, negras. Duas encontravam-se com vínculo de
trabalho formal e três sem ocupação. Quatro apresentavam ensino médio completo e uma, ensino
fundamental incompleto, conforme indicado na Tabela 1. Para a maioria das travestis e mulheres
trans dessa comunidade, é notável o suporte familiar como ponto de apoio. No que concerne a
equipamentos de proteção social, o mais citado foi a Defensoria Pública, uma organização não
governamental e o Centro de Referência da Assistência Social. Todas fazem seu acompanhamento
no Centro de Saúde, e uma referiu estar mais afastada por não ter demanda. A religiosidade
candomblecista também foi fator de suporte para duas das entrevistadas. A maior dificuldade foi
relativa à empregabilidade, com relatos de situações de transfobia. Uma das entrevistadas identificou
que tem um problema relacionado à drogadição. Conclusões: Ainda há muito a evoluir em políticas
públicas que promovam equidade e saúde para as mulheres trans e travestis, especialmente na
garantia de cuidados com a saúde, de incentivos à empregabilidade trans e de combate à transfobia,
porém as mulheres da comunidade estudada e suas famílias indicam-nos como o acolhimento e o
apoio podem ser fatores diferenciais nessas trajetórias de vida.
Descrição
Palavras-chave
Transexualidade, Integração comunitária, Atenção primária à saúde
Citação
GONÇALVES, G. P.; LIMA, E. H. de. As relações sociais de travestis e mulheres transgênero em favela de uma cidade metropolitana brasileira registradas pelo Ecomapa. Revista Brasileira de Medicina de Família e Comunidade, Rio de Janeiro, v. 17, n. 44, artigo 3079, jan./dez. 2022. Disponível em: <https://rbmfc.org.br/rbmfc/article/view/3079>. Acesso em: 01 ago. 2023.